Como levar dinheiro para viagem internacional em 2026: o guia completo
- 11 de jun.
- 9 min de leitura
Atualizado: há 1 dia

Todo viajante avisa: cartão de crédito é a forma mais cara de pagar pelas coisas do dia a dia numa viagem internacional. Mas eu queria saber quão mais caro, então eu fiz um teste prático em viagem: paguei a mesma compra com o cartão da minha conta internacional e com um cartão de crédito brasileiro. No crédito, saiu 7,4% mais caro.
Hoje existem várias formas de levar dinheiro para viagem internacional, ao contrário de alguns anos atrás em que tudo era mato. E a gente pode usar vários recursos e ferramentas que nem existiam até pouco tempo atrás - inclusive combinando os métodos de câmbio pra economizar e viajar mais seguro.
Neste guia eu explico as formas de levar dinheiro pra fora do Brasil, com as taxas reais de 2026, os riscos de cada uma e a divisão exata que eu uso depois de viajar para 24 países.
As 3 formas de levar dinheiro para o exterior
Na prática, pra qualquer viagem internacional, você tem três opções de câmbio:
Dinheiro em espécie: casas de câmbio no Brasil (ou fora) ou Western Union
Cartão de crédito internacional: o mais prático e o mais caro de todos
Conta internacional com cartão de débito: a mesma praticidade do crédito, com cerca de 8% de economia
Spoiler: eu acho que a melhor estratégia não é escolher uma, é combinar as três nas proporções certas pra cada destino de viagem. Já te explico como.

Quais taxas você paga em 2026
O IOF não é a única taxa que a gente paga numa conversão. Em 2026, o IOF é de 3,5% para qualquer método: casa de câmbio, cartão de crédito e conta internacional. Ou seja, ele não serve de critério de desempate, como acontecia uns anos atrás, que o IOF do cartão de crédito era disparado o maior. Essa diferença de preço diminuiu, mas continua lá.
O que muda de verdade são as taxas próprias de cada método e o dólar usado:
Conta internacional: taxa de conversão (na Nomad, regressiva de 2% a 1%; na Wise, 0,8%) + dólar comercial (mais barato)
Casa de câmbio: taxa administrativa + dólar turismo, que é mais caro
Cartão de crédito: spread, que varia de banco pra banco + dólar PTAX
Dólar comercial x dólar turismo: qual a diferença?
O dólar comercial é o usado nas contas globais e é o mais vantajoso pra gente. O dólar turismo é o das casas de câmbio: ele embute os custos da operação com papel-moeda e por isso é sempre mais caro.
E o cartão de crédito? Nem um, nem outro: ele usa o dólar PTAX, que até é bom, mais parecido com o dólar comercial do que com o dólar turismo. O problema é o spread que o banco coloca em cima, que acaba compensando a economia do câmbio e superando as taxas tanto da casa de câmbio quanto das contas internacionais.
Opção 1: dinheiro em espécie
Antes de tudo: pesquise se o seu destino aceita mais cartão ou dinheiro vivo. Isso depende muito e não se apegue à esteriótipos, eu descobri na prática que a África do Sul, por exemplo, é praticamente cashless.
Nem sempre você precisa ter dinheiro em espécie em mãos, depende do destino de viagem. Ano passado eu viajei pra Europa e usei menos de 50 euros de papel-moeda, não tive necessidade nenhuma de trocar mais ou de sacar. Já na República Dominicana precisamos bastante de dinheiro, tinham passeios que só aceitavam papel moeda, lojinhas, restaurantes que eram mais baratos com dinheiro vivo.
Trocar dinheiro ainda no Brasil
Você pode comprar moeda numa casa de câmbio como a Travelex Confidence, online ou em loja física. A conta aqui é: dólar turismo (mais caro) + IOF de 3,5% + taxa administrativa.
Simulação de câmbio:

Western Union: a forma mais barata de ter espécie no destino
Se você precisa de um valor maior em dinheiro físico, enviar pra você mesma via Western Union é a opção mais barata que eu encontrei nas minhas simulações.
O contra: tem fila pra retirar e não é muito seguro sair andando com todo o dinheiro da viagem no bolso.

Trocar dinheiro no destino em casas de câmbio
Dá pra chegar e trocar dólares ou reais por moeda local nas casas de câmbio do destino. Costuma ser a opção menos prática e mais cara, nem sempre é essa a realidade, pode ser que se encontre alguma casa de câmbio que seja em conta, mas aí é meio que contar com a sorte.
Cuidado: nem todo lugar aceita real. Aqui na América Latina é bem comum, dá pra levar reais em espécie e trocar numa casa de câmbio em Buenos Aires, por exemplo. Mas isso não é uma realidade na Europa, África, Ásia, etc. Em locais mais longe você teria que levar dinheiro em dólares, ou seja, já fazer uma conversão no Brasil (que tem taxas já) e depois converter de novo lá, o que acarretaria em 2 cobranças.
Sacar no caixa eletrônico
Não é preciso sair do Brasil com dinheiro de papel pra ter dinheiro de papel. Você pode sacar moeda local direto da sua conta internacional ou do cartão de crédito. Só que aí entram as taxas do caixa eletrônico: elas variam muito, já paguei de 0% a 20% a mais. Já paguei 13,95% em Amsterdam, por exemplo.
Você pode sacar do seu cartão de crédito brasileiro, normal, em qualquer caixa eletrônico estilo 24hrs - e em muitos de bancos locais. Eu basicamente coloco o cartão e vejo se aceita, mas normalmente as máquinas de aeroportos aceitam e nos caixas de bancos normais.
Ou pode sacar do seu cartão de conta internacional (Nomad, Wise, Revolut...). Eu uso principalmente a Nomad, então é com ela que vou comparar porque é a minha experiência.
Pela Nomad, os saques nos caixas parceiros da rede MoneyPass são gratuitos e ilimitados, mas a maioria deles fica nos Estados Unidos. Fora da rede, são 2 saques gratuitos por mês (e o caixa pode cobrar a tarifa própria). Mas como seu dinheiro já está convertido essa é a única taxa que incide na hora do saque, que vai sair na moeda local do país. Mas essa conversão de dólar pra moeda local não tem cobrança nenhuma, é que nem quando você passa o cartão na maquininha no débito normal, ele converte na hora sem taxa.
No cartão de crédito, a conta é pior: taxa do próprio caixa eletrônico + cotação PTAX + IOF + spread. Então sempre sai mais caro.
Eu jamais vou te indicar viajar só com dinheiro em espécie. Dinheiro em papel a gente perde, é roubada, precisa calcular exatamente quanto converter e dá trabalho pra trocar mais. Isso te deixa exposta a imprevistos muito mais do que o necessário.
Até porque às vezes acontece de a gente trocar mais dinheiro do que precisava e voltar pra casa com dinheiro estrangeiro sobrando. Ai tem que trocar de volta e pagar mais taxa de novo. Eu sempre tento fazer um cálculo de para que vou precisar de dinheiro físico e sacar ou mandar pela Western Union só essa quantia + uma margem de erro pra souveniers etc, que ai eu posso gastar num restaurate no fim da viagem se eu ver que está sobrando.
Eu geralmente opto por enviar a parte do dinheiro físico via Western Union, que é mais barato, mas só se eu precisar de uma quantia maiorzinha. Se for um país que eu preciso só de 50 dólares eu faço um saque no caixa eletronico mesmo, do meu cartão da Nomad, porque as taxas do caixa são por porcentagem e é bem mais rápido e prático do que ir numa loja da Western Union e pegar fila. E tô em paz de pagar 15% de taxa em 50 dólares pra me poupar umas horas.
Como funciona o saque do cartão da Nomad nos caixas eletrônicos? Veja aqui o vídeo:
Opção 2: cartão de crédito internacional
É a opção mais prática e a mais cara de todas, mas a mais cara. No teste que eu fiz, a mesma compra saiu 7,4% mais cara no cartão de crédito do que na conta internacional. Então se eu fosse passar todos os gastos da viagem no crédito isso iria me sair várias centenas de reais em taxas.
Passar o cartão lá fora é tranquilo e funciona. Mas fazer a viagem inteira no crédito sai uns 8% mais caro, esse teste que eu fiz foi com um cartão do Bradesco, um Visa Infinite, então os 7,4% são o spread desse cartão específico, que muda de banco pra banco. No fim da viagem, isso vira uns bons jantares jogados fora. Por isso o crédito é o meu backup de emergência, não o meu meio de pagamento principal.
Nunca precisei usar de fato, levo como emergência e pra situações que é melhor usar o crédito. Por exemplo, em alugueis de carro você precisa deixar um depósito de caução e ele e reembolsado, geralmente as locadoras só aceitam crédito mesmo pra essa caução, mas mesmo que aceitem débito, os estornos demoram muito mais pra cartões de débito do que de crédito.
Às vezes é necessário caução pra hotéis também e da mesma forma, prefiro usar o crédito porque o reembolso é bem mais rápido.
Vídeo comparando as taxas do cartão de crédito com o da Nomad:
Opção 3: conta internacional com cartão de débito
A melhor opção em 2026 pra concentrar seus gastos. Você converte com dólar comercial, paga os encargos padrão de 3,5% e uma taxa de serviço pequena. É a forma mais barata de levar dinheiro para o exterior com a mesma praticidade do cartão de crédito. Ela é um pouco mais cara do que usar a Western Union, por exemplo.
Aqui nas simulações que eu fiz (10/06/2026) convertendo os mesmos US$ 1.000 - usei dólar pra gente ter uma base mais consistente mas é equiparável com qualquer moeda porque as taxas e encargos funcionam igual:
Método | US$ 1.000 em reais | Veredito |
Western Union | R$ 5.357,58 | A mais barata porém trabalhosa |
Na casa de câmbio | R$ 5.662,72 | A mais cara |
Wise | R$ 5.399,14 | Segunda mais barata, boa opção mas tenho minhas ressalvas |
Nomad | R$ 5.449,40 | A minha escolha - bom preço, mais praticidade e mais segurança |
Nomad ou Wise?
Eu uso a Nomad como conta principal. Já viajei pra 15 países diferentes com ela, nenhum deles tinha o dólar como moeda local, e o cartão nunca me falhou. O dinheiro fica em dólar e é convertido pra moeda local sem custo adicional na hora da compra. Eu gosto muito da conta, me passa bastante segurança e tem o programa de fidelidade, que a gente vai subindo de nível e ganhando benefícios.
Nomad: dólar comercial + IOF 3,5% + taxa regressiva de 2% a 1%
Wise: dólar comercial + IOF 3,5% + taxa de 0,8%
A Wise é um pouco mais barata, sim. Mas eu tive experiências ruins com a aceitação do cartão (e descobri que não sou a única), e o suporte é complicado. Na ponta do lápis, a diferença entre as duas é de menos de 1%. Eu prefiro pagar essa diferença pra ter certeza de que o cartão vai funcionar sempre.
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Aqui tem um ebook com um guia completo da conta da Nomad pra viajar, eu explico certinho tudo que você precisa saber antes de abrir a conta e ele é gratuito.
Como eu divido o dinheiro nas minhas viagens
90% do uso: conta Nomad no débito
Uma quantia pequena em espécie pros lugares que não aceitam cartão (ou mais dependendo do destino)
Cartão de crédito brasileiro como backup do backup, que nunca precisei usar de verdade
Resumindo a parte do papel-moeda: precisa de bastante espécie? Manda pela Western Union, que fica mais barato. É pouco ou bateu preguiça? Saca num caixa eletrônico da sua conta internacional e segue a viagem.
E não esquece do seguro viagem, que em vários destinos é obrigatório. Eu sempre coto pelo Seguros Promo, e com esse link você ganha desconto.
Perguntas frequentes
Qual a melhor forma de levar dinheiro para viagem internacional?
Conta internacional com cartão de débito (Nomad ou Wise) para a maior parte dos gastos, uma quantia pequena em espécie e um cartão de crédito de emergência. É a combinação mais barata sem abrir mão de praticidade.
Quanto de IOF eu pago em 2026?
3,5% em qualquer método: casa de câmbio, cartão de crédito e conta internacional. A diferença de custo entre eles está nas outras taxas (spread, taxa administrativa e taxa de conversão).
Existe limite de dinheiro em espécie pra sair do Brasil?
Valores a partir de US$ 10 mil (ou equivalente em outra moeda) precisam ser declarados à Receita Federal. Abaixo disso, não há declaração obrigatória.
Nomad ou Wise: qual escolher?
A Wise tem taxa menor (0,8% contra 2% a 1% da Nomad), mas eu já tive problema de aceitação com o cartão dela. A Nomad nunca me falhou em 15 países, então é a minha conta principal.
Minha regra é simples
Concentro 90% dos gastos na conta internacional, levo pouco em espécie e deixo o crédito guardado pra emergência. Essa divisão me dá o melhor custo benefício sem correr riscos, em qualquer destino.
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